Faça Alguém Gozar!
Capítulo 06: Não, ainda não fiz.
Mais de três minutos, foi o tempo que fiquei parado olhando para a tela do celular e lendo aqueles caracteres de modo tão curioso e chocado que muito se assemelha à maneira como os garotos ficam quando olham pela primeira vez para o próprio gozo.
E agora? O que faço? Devo responder? Porém, responder o quê? E antes disso, por que a garota que eu, descaradamente e em público, convidei para transar me mandou uma mensagem? Isso tem alguma procedência maligna? Ela deseja se vingar, me xingar ou efetuar algum tipo de plano maquiavélico?!
De qualquer modo, não existe uma outra forma para eu conseguir respostas para as minhas questões. Tenho que arriscar e responder, o que mais poderia acontecer? Ela não vai poder se vingar pelo celular. Ou vai?
— Olá! Eu estou bem. E você? – Envio o texto.
Digitando…
Eita porra! Ela está digitando, caralho! O que eu faço? Eita, caralho, tenho que sair da conversa. Vamos, celular idiota, não é hora de travar. Puta merda, vamos! Ufa! Respiro fundo para tentar fazer as batidas do meu coração desacelerarem.
— Estou bem. Obrigada!
Pronto, é o meu limite! Não faço ideia do que escrever agora. Dessa forma, acho que além de tarado, ela vai começar a acreditar que sou um idiota e babaca por não interagir e a deixar no vácuo. O problema é que se eu mandar alguma mensagem, com certeza darei mais motivos para ela me achar um tarado e idiota. Porque tenho um impulso muito forte de fazer e falar merdas.
Alguns minutos se passaram. Nada. Coloco o celular de volta na mesinha ao lado e volto a me deitar. Que travesseiro gostoso, cara! Que delícia. Droga, cobertor burro, prende logo no meu pé, cacete! Ah, isso, melhorou! Quê? Mensagem nova? Levanto-me em um pulo e agarro o celular. Luara, vejo o nome do contato já salvo.
— Te expulsaram da escola? Não apareceu mais.
Ora, bolas!
— Quase isso.
— Ah tá!
— Pois é.
— Na verdade, eu ouvi dizer que vc foi suspenso.
Então por que diabos pergunta?
— Isso é verdade, fui suspenso por uma semana.
— Foi por causa daquilo, não foi?
— Provavelmente.
— Hum!
Mais alguns minutos se passaram sem diálogo. Até que o celular apitou novamente anunciando uma nova mensagem dela.
— Você já fez?
— O quê?
— Aquilo que me convidou para fazer.
Tá interessada, jovem?
O que está acontecendo aqui? É uma armadilha? Uma pegadinha? O que está rolando? Não é ela, tenho certeza. Deve ser alguém me pregando uma peça.
— É você mesmo? – Indaguei.
— Ué, claro! Por quê?
— Hum!
— Olha aí, sou eu. (Foto)
Puta que pariu!
Ela me mandou uma selfie, está aninhada na cama. O rostinho lavado, sem nenhuma maquiagem. Fora a zona capturada pela foto, o resto do ambiente está escuro. Deu para ver um pedacinho da alça do vestidinho dela de dormir, o que foi o suficiente para eu imaginar uma peça de roupa leve, solta, fina e curta. E que boquinha é essa, caramba?!
Subiu em mim um desejo de perguntar qual a cor da calcinha dela. Será que ela me responderia? Calma, Charles! Não faça merda mais uma vez. E a pergunta que ela fez, qual será a resposta que darei?
Digo que já fiz para pagar de experiente no assunto? Mas pode ser que ela não se sinta à vontade. E se eu falar a verdade e contar que sou virgem? Talvez ela passe a me ver como uma criança que só tem foba e nada mais. Ou fique segura por saber que estamos na mesma situação. Isso se ela também for virgem. Será que é?
— Charles? – Ela se incomoda com a demora.
— Não, ainda não fiz. – Respondo.
— Ah!
Acho que ganhei o direito de perguntar também.
— E você?
— Não acho adequado eu responder isso. Boa noite!
Quê? Que merda!
Fico tão bolado que nem respondo o boa noite. Coloco o celular de volta na mesinha e volto a me deitar. Cobertor burro, ah, isso! Bom garoto! Puta merda, agora ela sabe sobre a minha intimidade, ou melhor, da não existência dela. Olho novamente para o celular para verificar a hora, meia noite. Deito-me e fecho os olhos.
Isso foi a dobradiça de uma porta? Foi do quarto da Geórgia. Acho que ela irá lá novamente. Levanto-me e vou até a janela do meu quarto. Lá está ela, saindo de casa sorrateiramente direto para a casa do vizinho em um vestido preto extremamente fino, leve e curto que ela usa para dormir. E que também poderia usar para apimentar uma transa. O que parece ser o caso.
Saio igualmente sorrateiramente de casa e sigo o rastro da minha prima, sendo mais preciso, sigo seu aroma doce impregnado no ar. Pulo o cercado que separa o terreno da minha casa com o terreno vizinho e me aproximo da janela do quarto do velho tarado.
Fechada!
Muito bem, eis aqui um problema que me empata de ver uma cena erótica. Mas, como nada me empata de ver uma cena erótica, irei dar um jeito. O telhado, irei subir. Isso, agora é só alcançar ali e, deu certo! Quando o assunto é ser tarado, sou um gênio. Só não consigo arrumar uma maneira de praticar o ato com alguém, mas estou tentando.
Falando em praticar, fiquei sabendo que tem uns guris do bairro que possuem um sistema de solidariedade sexual (troca-troca). Não curto essa prática. Não me imagino dando o cu, mas desejo toda a felicidade para aqueles que gostam de dar.
Uma vez no telhado, ando com toda a cautela até localizar o quarto do sujeito. Separo um pouco as telhas para ter contato visual com o interior do local. Por sorte, não tem forro. Poucas casas na minha cidade têm esse luxo.
O senhor Luís está deitado e despido na cama. Geórgia está em cima dele, em pé. Como ela pode dar para uma coisa dessas? Barrigão cheio de pelos que supera o cara do comercial das carnes, “não sei o que boi”; o velho Luís tem mais de cinquenta anos e é feio que dói.
Santo dinheiro!
Geórgia, em pé, tira a calcinha vermelha sem tirar o vestidinho, o velho tarado se esforça para levantar o pau enferrujado. Minha prima começa a fazer um tipo de dança sensual (vai matar o coitado do coração), passa as mãos pelo seu corpinho e levanta o vestido, aperta os belos seios. Gostosa!
Fica de costas para o sujeito e se curva, o velho nem pisca, esfola o pau numa punheta frenética enquanto foca o olhar na buceta e no cuzinho abertos da minha prima. Ela o provocou por mais uns minutos e logo ele gozou. O velho sofreu de uma sonolência imediata que o fez dormir. Tudo não durou vinte minutos. Minha prima pega o dinheiro em cima da mesinha ao lado da cama, veste a calcinha e se retira do quarto.
Ué? Ela não dar para ele?! Opa, gozei!
Vejo Geórgia voltando para casa. Espero alguns minutos após ela entrar, fecho a abertura que fiz no telhado para assistir a cena lá dentro e então começo a me mover pelo telhado em direção ao mesmo local por onde subi. Avanço lentamente tomando cuidado onde piso. Opa, a telha quebrou. Deve ser por que pisei no meio…
— EITA PORRA! – Gritei.
Foi tudo muito rápido. Uma sequência de estalos seguido de um estrondoso barulho. Meu corpo entrou em queda livre. Junto com telhas, madeira, folhas, tudo o que estava em cima da parte do teto onde eu me encontrava.
Para a minha desgraça, o teto desabou.