Faça Alguém Gozar!
Capítulo 07: Conspirações
O teto desabou assim que eu passava sobre a cozinha da casa. Os destroços se espalharam pelo chão e eu tombei sobre uma grande mesa, o que pode ter amenizado um pouco o impacto da queda. Já o barulho, nem se fala, foi enorme!
— Puta que pariu – exclamo após cair a ficha sobre a minha situação.
Meu tornozelo emite uma dor. Com pressa, procuro verificar o que aconteceu. Consigo mexê-lo, menos mal. Mas está torcido e estou com alguns cortes nas pernas, mãos e braços.
Devo cair fora imediatamente, pois o velho provavelmente acordou com o barulho e logo estará aqui. Também devo me apressar porque é questão de tempo para os vizinhos curiosos cercarem a casa.
Com uma dose de dificuldade, consigo ficar em pé. Ouço os passos do velho se aproximando. Corro até a janela mais próxima, tento abri-la, mas não obtenho êxito. O Senhor Luís já fica no meu encalço, é questão de segundos para ele chegar aqui na cozinha.
Vacilei.
O dono da casa chega na cozinha e para na porta. Parece está observando o estrago. Estou embaixo da mesa. Sorte a minha que a lâmpada tombou junto deixando o cômodo escuro.
Pisando de maneira cautelosa sobre os escombros, o velho entra na cozinha. Está vindo em direção à mesa. Está perto, muito perto. Acho que ele sabe que tem alguém aqui. Merda! Não posso peidar agora, nem pensar, caia fora, vontade do caralho! Ele alcança a mesa.
Tomei no cu.
O senhor Luís empurra os escombros de cima do móvel e vejo seus joelhos flexionarem, ele vai se abaixar.
Não abaixa, filho da puta!
Fecho os olhos, não quero ver. De repente, barulhos de pedaços de telhas sendo esmagados me fazem reabri-los. Ele está saindo da cozinha. Claro, foi atrás de uma lanterna. É a minha chance!
Corro, como posso, até a porta da cozinha, atravesso a casa até chegar na porta principal. A chave se encontra na fechadura. Fuga facilitada. Retiro-me da casa, mas já existe movimentação ao redor. Para que não me percebam, atiro-me nas moitas que cercam a propriedade, rastejo-me que nem soldado de infantaria nas trincheiras. Alcanço o cercado que limita o terreno, pulo. Chego no território seguro.
Percebo a minha mãe e Geórgia na frente de casa observando o movimento, dou a volta pelos fundos. Entro no meu quarto, tiro as roupas sujas, apanho uma toalha úmida, limpo meus cortes e então me deito. Tomarei banho após a adrenalina passar.
Pego no sono que nem percebo. Quando me dou conta, o celular já está com o despertador fazendo barulho. Desligo o aplicativo e volto a me deitar olhando para o teto. O meu tornozelo lateja, está dolorido. Só não dói mais do que o pensamento de ter que voltar para a escola hoje. Não tenho escolha. Levanto-me, tomo banho e me arrumo. Escolho uma camisa de mangas longas para esconder os cortes. Chego na cozinha na tranquilidade, me esforçando para não mancar.
Todos já estão tomando café, inclusive o pai. Dou bom dia cumprimentando a todos, puxo uma cadeira e sento-me.
— Você escutou o movimento de ontem, Charles? – Meu pai pergunta.
— Que movimento? – minto.
— Caramba, você tem um sono pesado! – Geórgia comenta.
Dou um sorriso de canto e nada mais. Pergunto o que havia acontecido, só para sustentar a mentira de que não sei de nada. A mãe conta a história com detalhes e com alguns exageros.
O boato que rolava na vizinhança era de que se tratava de assalto ou até mesmo da visita de alienígenas. O papo rolou durante todo o café. Eu até estava escutando a conversa, mas minha imaginação trabalhava em recuperar a cena da Geórgia fazendo striptease. Essa mulher é gostosa demais. Confesso que estou feliz em saber que o velho Luís não mete nela.
Termino meu café e subo as escadas para escovar os dentes e pegar a mochila. Instantes depois, desço as escadas novamente. Passo pela minha mãe e pelo meu pai, dou tchau e saio de casa.
Partiu, escola.
O mesmo trajeto de sempre. Fico observando as meninas, todas deusas, a maioria sem cabaço ou querendo quebrar. Essa é a minha análise erótica que faço delas. Chego mais cedo que o normal, o portão ainda está fechado. Sento-me um pouco distante e fico observando.
Luara chega, linda como sempre, talvez até mais linda. O sinal toca e os portões são abertos. O mesmo alvoroço de sempre. Os mesmos idiotas de sempre. Se entalando no portão como sempre.
Depois de uns minutos, o fluxo fica mais calmo. Minha hora de entrar. Ao entrar na escola, percebo olhares dirigidos à minha pessoa. Não alguns olhares, são muitos olhares, talvez, todos os olhares. Além disso, eles estão falando uns com os outros em voz bem baixa. Estão conspirando sobre algo.
Caminho cabisbaixo até minha sala. As meninas se afastam quando passo e os meninos endurecem os ombros para tombarem comigo. Avanço mesmo assim. Chego na sala e procuro meu lugar estratégico. Sento, apoio meus braços na carteira e repouso minha cabeça. Fico assim por alguns minutos até ser incomodado.
— Ei, você – diz um garoto que parece liderar uma gangue que o acompanha.
— O que foi? – respondo.
— Você é o Charles? – Ele pergunta.
É um cara alto, mal-encarado e com um bom porte físico. Se não me engano, deve ser do 3º ano. Mas só não entendo o porquê dele está aqui falando comigo. E por que esses caras que estão com ele estão me encarando dessa forma? Parece que estão com raiva. E por que todo mundo da sala está agindo assim, apreensivos? Está acontecendo algo?
— Sim, meu nome é Charles – respondo — e você?
— Meu nome é Rafael. Eu sou o namorado da Luara!