Faça Alguém Gozar!
Capítulo 10: Segredos
– Como assim você a comeu? — Indaguei não crendo no que ele disse.
— O que você acha que aconteceu, pequeno Charles? — Ele fez uma cara esnobe. — Acha que eu coloquei sal nela, peguei um garfo e uma faca, cortei um pedaço, levei à boca e mastiguei antes de engolir?! Você não é tão inocente assim, pequeno Charles!
— Puta merda! Você mete em todo buraco que encontra — resmunguei.
— Falou o garotinho que coloca margarina nos buraquinhos dos tijolos para usar como vaginas.
Puta merda, como ele sabe sobre isso?
Fiquei calado depois dessa. Ele sorriu quando percebeu que recuei na conversa.
— Calma, pequeno Charles. Todo mundo faz isso.
— Sério? — Perguntei com um ridículo alívio estampado no rosto.
— Não, você é o único grande tarado que faz tal coisa — disse soltando gargalhadas.
Continuamos caminhando, dessa vez em silêncio. Assim que entramos no estacionamento da escola, Rodrigo tirou do bolso do paletó um mini controle e fez uso dele desativando um alarme.
Caralho, meu irmão já tem um carro! — pensei.
Olhei atentamente para ver qual o carro que emitiu o som do alarme sendo desativado. Minha esperança era que fosse algum daqueles carros de R$20 mil.
R$20 mil uma ova!
É uma BMW X6 de cor branca. Essa máquina custa uns R$500 mil brincando.
— Puta merda, Rodrigo! Quê porra é essa, maluco? — Perguntei berrando mesmo.
— Gostou, pequeno Charles?
— É seu?
— Sim, maninho. Vai, entra logo do outro lado.
Corri feito abestado. Vou entrar em uma BMW, maluco! Conheço sobre carros por que é o meu segundo hobby favorito, fora as punhetas.
Rodrigo entrou na máquina depois de mim e partimos.
Deslizamos no asfalto. A cidade toda admira o lindo carro que nos camuflava com seus vidros escuros. Puta merda, queria que o povo me visse aqui! Paramos em uma lanchonete/restaurante chamando atenção. Cidade pequena é assim. Descemos e nos sentamos em uma mesa.
Logo a garçonete se aproximou. É a Nathalia, sobrinha do senhor Luís, o vizinho tarado. Uma ruiva de 19 anos com os olhos esverdeados. Seu corpo não é tão avantajado quanto o da Geórgia, mas é uma falsa magra deliciosa. É inteligente, passou no vestibular e vai cursar medicina na Capital Estadual no próximo semestre.
— Posso ajudá-los, senhores? — Perguntou a deusa grega com a sua voz meiga.
— Não precisa essa formalidade, Nathy — Respondeu Rodrigo com seu sorriso carismático de sempre.
Nathalia ficou vermelha e não consegue encará-lo.
— Faz muito tempo, Rodrigo — ela comenta entre gaguejos.
— Só um pouco, mas você mudou bastante. Desculpe, mas não consigo tirar os olhos da sua boca — falou Rodrigo focando os olhos nos dela como se tivesse tentando hipnotizá-la.
E o pior é que funcionou. Nathalia deu um sorrisinho tímido abaixando os braços com suas mãos juntas segurando o bloco de papel.
— Por favor, vou querer o especial da casa e creio que o pequeno Charles vai desejar o mesmo — disse Rodrigo com uma postura mais rígida, porém, ainda assim, simpático.
— Certo. Peço que, encarecida, aguardem um instante! — Nathalia fala ainda evitando encarar o meu irmão.
Deu-me vontade de vomitar vendo essa cena.
— Como sabia que eu queria o mesmo que você? — Pergunto assim que a moça se afasta.
— Você queria escolher algo diferente, pequeno Charles? — Ele perguntou me olhando nos olhos enquanto sua boca se escondia atrás de suas mãos com os cotovelos apoiados na mesa. Não tente me paquerar filho da p@#$!
— Não, deixa assim — respondi olhando para o lado, por sorte, na direção do carro.
— Certo, mas a pergunta que você realmente quer me fazer é como eu consegui o carro, não é? — Ele indagou.
Ele está correto, não sei como, mas ele está. Quero mesmo perguntar isso, mas não vou. Não mais. Eu me recuso a dar esse gostinho para ele, já que tem uma mania muito irritante de sempre querer está sabendo de tudo como se previsse os acontecimentos e lesse pensamentos.
— Eu não — respondi — não me importo.
Ele sorriu e depois disso ficamos em silêncio por um tempo. Ele, discretamente, observava as coisas e as pessoas ao seu redor. Eu, discretamente, o observava. De algum modo, meu irmão parece estar preocupado ou, no mínimo, atento demais. Como se quisesse notar alguém se aproximando com antecedência, se fosse o caso de alguém se aproximar.
— Por que voltou, Rodrigo? Achei que só voltaria depois de uns dois anos. Mas veio antes. Você não tinha dito que não viria de ano em ano para não aumentar os gastos e nem te desconcentrar dos estudos?
— Prioridades, pequeno Charles — ele respondeu, dessa vez, sem um pingo de simpatia, desfazendo o sorriso e sem me olhar nos olhos.
Que estranho.
— Mas não se preocupe, vamos apenas aproveitar esse tempo juntos, certo, maninho?! — Meu irmão mudou novamente a expressão facial voltando a manifestar o sorriso carismático.
Foi estranho, mas, na moral, eu amo meu irmão e estou feliz por ele está aqui, mesmo sabendo que ele está escondendo algo. Nathalia chega com nossos pedidos.
— Aqui estão, senhores! Desculpem pela demora!
Na verdade, foi bem rápido.
— Sem formalidades, Nathy! — Meu irmão volta a pedir para que ela não seja formal com ele.
Nathalia sorriu novamente.
— Força do hábito — a linda mulher explica.
— Você ainda gosta de nadar, Nathy? — Rodrigo indaga.
— Sim, claro, eu amo nadar. Por quê?
— Meu maninho quer ir ao Lago das Palmeiras (ponto turístico da cidade, lindo que só). Ele não é um bom nadador e eu não posso entrar com ele hoje. Você poderia nos acompanhar?
Que puto, eu não disse que quero ir ao lago. Vou protestar e negar. Não vou servir de isca nessa paquera dele. Vou falar agora.
— Vou aproveitar o caminho para ensinar o pequeno Charles a dirigir um carro. Vai ser legal, vamos? — Rodrigo faz o convite.
Droga, ele me pegou, não posso mais protestar.
— Eu bem que queria, mas tenho que trabalhar o dia todo hoje, pois tenho que tirar o horário de uma amiga também que não poderá vir — Nathalia responde.
Rodrigo pediu para a ruiva linda esperar um pouco, pegou o celular do paletó, digitou uma mensagem e enviou. A gata e eu ficamos apenas a observar em total e sincrônico silêncio. Em poucos segundos, ele recebeu uma mensagem. Deve ser a resposta da mensagem que ele enviara.
— Pronto! — ele exclama. — Agora você tem o resto do dia livre.
— Como assim? – Ela questiona bem confusa.
Realmente, como assim?
— Olhe para atrás! — Meu irmão fala balançando a mão e acenando para alguém.
É o chefe da Nathalia sorrindo e acenando de volta. De alguma forma, Rodrigo conseguiu convencer o chefe dela a lhe dar o resto do dia de folga, mesmo com um bom movimento no estabelecimento e já com uma funcionária faltosa. O mais incrível foi que bastou uma simples mensagem de celular. O que será que ele escreveu?
— Você pode recusar e ir para casa descansar se quiser — Rodrigo dar outra opção.
Nathalia sorriu e ficou bastante vermelha.
— Eu vou com vocês, mas comam primeiro! — Ela respondeu.
— Fez a escolha certa. Eu e o pequeno Charles somos gratos por sua companhia.
Nathalia se retirou após nos informar que iria trocar de roupa. Rodrigo e eu começamos a degustar o lanche. Enquanto eu comia, olhava para ele. Como diabos ele consegue fazer essas coisas?
— Amanhã é o seu aniversário, pequeno Charles? — Rodrigo questiona me pegando de surpresa no meio dos meus pensamentos.
— Sim, amanhã somo mais um ano de vida — respondo todo orgulhoso, mesmo sabendo que ele já está com seus 25.
— Meu irmãozinho tá crescendo! — Ele exclama. — Então, você, por acaso, deseja ter uma noite com a Geórgia como presente?