Faça Alguém Gozar!
Capítulo 12: Luara, solteira?
Rodrigo foi embora um dia após o meu aniversário. Foi boa a passagem dele por aqui. Aprendi muitas coisas novas, inclusive a guiar um carro. Certo que não deu tempo para pegar muita coisa, mas foi o suficiente para continuar praticando quando o meu pai permitir.
Enquanto ele esteve aqui, juro que eu achava que ele iria pegar todas, mas era apenas a Nathalia por quem ele procurava. Será que ele finalmente foi domado? Admito que imaginar essa possibilidade me provocou risos.
Não tem sequer dois anos que ele foi morar fora, mas parece que foi tempo o suficiente para ele mudar bastante, em todos os aspectos. Rodrigo sempre foi um cara sinistro, no entanto, está ainda mais. Sem contar com o fato de estar cheio da grana. Todo mundo notou, porém, ninguém perguntou nada sobre isso a ele.
Eu confesso que queria muito saber tudo sobre esses dois últimos anos dele, mas sei que só saberei se ele decidir me contar um dia.
O que será que ele tem feito?
UMA SEMANA DEPOIS
Passei a última semana inteira saindo cedo de casa como se fosse para a escola, mas — como eu estava suspenso — ficava perambulando na praça ou ia para as locadoras de videogames. Minha mãe não podia saber que eu tinha sido suspenso novamente, mas a minha suspenção acabou e amanhã preciso voltar para a escola.
Viro-me para o lado, estico o braço e pego o meu celular sem me levantar da cama. Procuro os contatos e encontro o da Luara, carinhosamente o salvei com muitos emojis fofos. Bateu até uma vontade de mandar mensagem para ela. Devo mandar? Claro que não. A última vez que tivemos contato, ela me bateu e me chamou de idiota. E ainda tem o namorado dela…
— EITA PORRA! — Gritei tão alto que a mãe gritou de volta perguntando o motivo do meu grito.
— NADA NÃO, MÃE — respondi.
— POIS TE CALA, FÍ DUMA ÉGUA! — mãe falou com todo o carinho. Pelo som da voz dela, deve estar no quarto da Geórgia.
O motivo do meu grito repentino é que lembrei que a Luara tem um namorado e que ele quer me matar.
Puta merda, vou morrer!
Não irei para a escola amanhã, nem fodendo. Ninguém vai me fazer ir para a escola. Irei até desligar o celular para o alarme não ter nem chance de funcionar.
Pronto, vou dormir.
Sem escola, está decidido!
— ACORDAAA fí de uma égua! Tu vai se atrasar pra escola, cu de preguiça — Berrou a mãe puxando o meu lençol.
— Eu não vou para escola — respondi com cara de bravo.
— Mas por quê? — Indagou a mãe.
— Porque eu não quero.
Ela sorriu, eu sorri. Peguei uns tapas, fui para o banho, me vesti, tomei café e fui para a escola.
Eu estava decidido a não ir para a escola. Meu plano era ir para qualquer outro lugar, assim como fiz durante a última semana. Mas, para o meu azar, meu pai chegou bem na hora em que eu saia de casa.
— Vamos, filho! Vou te deixar na escola hoje – ele disse.
Meu pai tirou um Jetta branco semana passada. Rodrigo deu uma força. Há tempos não vejo o velho tão feliz. Vai até me deixar na escola, para o meu azar.
Entrei no carro e seguimos. Fiquei olhando para as gatinhas, todas elas com bucetinhas lindas, com o mel escorrendo entre suas pernas. Como eu desejo comer todas.
Papai notou meu foco nas garotas e iniciou uma conversa estranha:
— Então, filhão! Já comeu alguma?
Mas que porra de pergunta é essa, caralho?!
— O quê, pai?
— Não se faça de bobo, garoto. Responda pro seu pai, sim ou não?
Se eu disser não, ele vai sorrir de mim, mas se eu disser sim, ele vai me encher de outras perguntas. Então…
— Não, ainda não.
Ele sorriu. Eu sabia que ele iria sorrir. Que merda!
— Seu momento vai chegar, filhão. Mas lembre-se, use camisinha. Ok?
— Tá — respondi.
Chegamos na escola. Ainda bem que chegamos. Preferia morrer do que continuar com essa conversa.
—Tchau, filhão!
— Tchau, pai!
Fiquei olhando meu pai virar a esquina e virei-me rumo ao portão da escola. Todos olhavam para mim. Todos, até o vigia.
“Ele voltou”; “Ele veio mesmo”; “Ele tá lascado” — eram os sussurros que eu ouvia.
Entrei.
Passei pelo pátio da escola e lá estava o mesmo cenário: todos olhando para mim e sussurrando.
— Senhor Charles, venha aqui por favor — disse a Diretora.
Que porra de senhor?!
Encaminhei-me para a diretoria.
— Entre e feche a porta — ela disse.
Fiz como ela ordenou, me sentei e aguardei ela encerrar uma conversa com um funcionário da escola que acabara de entrar. Após encerrar a conversa, ela voltou-se para mim:
— Senhor Charles, eu espero que você leve a sério dessa vez. Se você se meter em mais uma confusão, terei que expulsá-lo. Entendeu?
— Sim, senhora!
— Muito bem! Pode ir para a sua sala de aula. A propósito, cadê seu irmão?
— Ele voltou para a Capital.
— Ah! Sim, tudo bem, pode ir.
A safada sente falta do Rodrigo. Até que ela está bem produzida hoje, está gostosona naquela saia que, apesar de cobri os joelhos, a deixa muito gata.
O pátio agora está vazio. Todos estão em aula. Chego na minha sala e peço ao professor autorização para entrar. Ele a concede, e eu entro. Vou para o meu lugar de sempre. Todos olham para mim, alguns tentam não ser notados, outros olham sem esconder.
A primeira aula termina, o professor muda.
A segunda e a terceira aula também passam e finalmente chega o intervalo. A hora que vão libertar o Rafael de sua sala chegou. Ele virá direto para cá. Aposto.
Um sujeito que senta na minha frente virou-se para mim de repente.
— Ei, cara? — disse ele.
— Oi — respondi desconfiado.
— Você devia ter mudado de escola ou de turno.
— Por quê? — indago.
— Ora, você sabe o motivo. Rafael vai te matar, cara! Ainda mais agora que a Luara terminou com ele por sua causa.
— O quê? Luara, solteira? — Indaguei com um sorriso no rosto.
— Sim, ela terminou com o Rafael por que ele é agressivo demais e tal. Enfim, cara, vai logo para a sala da diretoria ou você vai morrer. É sério! Fica lá até o intervalo terminar — alertou-me o meu novo conhecido.
— Agradeço a preocupação, mas não vou me esconder feito covarde — respondi.
— O funeral é seu — ele disse e voltou a sentar normalmente na carteira ficando de costas para mim.
Poucos segundos após o diálogo com o meu colega de turma, eles entraram na sala. Rafael e sua gangue parecem determinados e cheios de ódio. Vieram me pegar.
A escola toda correu para a minha sala com o intuito de ver o sangue. O meu novo conhecido se afastou e em poucos instantes fiquei cercado pelos elementos.
— Lembra de mim, otário? — questionou Rafael.
— Como esquecer da cara mais feia da escola — respondi.
A galera gritou e isso deixou o puto mais puto ainda. Rafael preparou o soco que partiu quase que imediatamente em direção ao meu rosto. Fechei os olhos e aguardei o impacto.
Mas não aconteceu.
O que houve?
Quando abri os olhos, vi que alguém estava segurando no pulso do desgraçado.
É um cara, daqueles bem misteriosos mesmo, deve ser do 3º ano. Cabelo liso e grande, usando alguns acessórios de roqueiro e com o olhar muito tranquilo. Esse cara hilário segurou o pulso do Rafael me livrando de um soco.
— O que você quer, Felipe? — perguntou Rafael para o sujeito que me salvou.
— Eu? Nada. Mas não acha injusto implicar com os menores, Rafinha? — o cara falou cheio de classe. Mas, espera aí, eu conheço esse jeito de agir.
— Saia da frente, Felipe. Ou você vai ver! — Rafael o ameaçou.
— Se ainda quiser seu nariz intacto, deixe o pequeno Charles em paz!
Pequeno Charles? Ele disse “pequeno Charles”?
— Rafael sorriu e partiu para cima do Felipe.
Foi tudo tão rápido que todo mundo se assustou. Quando percebemos, o nariz do Rafael estava sangrando muito, provavelmente quebrou. Foi um único soco, um veloz, preciso e forte soco dado por Felipe.
— Seu filho da puta, você quebrou meu nariz! — berrou Rafael enquanto tentava conter o sangramento usando as mãos.
— Peguem esse filho da puta! — Ordenou Rafael para seus comparsas.
— É melhor vocês irem para suas salas, meus pequenos colegas — Felipe aconselhou os membros da gangue do Rafael.
Após segundos de silêncio, todos fugiram correndo.
— Se você encostar um dedo no meu amigo, Rafael — disse Felipe com um tom sinistro e ameaçador — eu pego você!
Rafael não falou nada, apenas se retirou da sala enquanto a multidão gritava eufórica. Todos estavam em êxtase com os acontecimentos.
— Porque me ajudou? — Indaguei.
Ele não parecia interessado em me dar uma explicação, apenas chegou perto de mim e disse o mais baixo possível, para que somente eu o escutasse:
— A Luara está solteira. Eu serei expulso e o Rafael também. Então, aproveite! — Ele se afastou com um sorriso carismático no rosto. — Seu irmão mandou lembranças, pequeno Charles!