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Faça Alguém Gozar!

FAG – Capítulo 15

Faça Alguém Gozar!

Capítulo 15: Um sentimento não erótico.

Vejo Larissa entrar pelo portão da escola e sumir do campo da minha visão.

— Bem, acho que já é hora de entrar — falo em voz alta.

Coloco minha mão esquerda no chão para servir de apoio enquanto me levanto e, em pequenos segundos, fiquei em pé. Bati a terra do meu traseiro e comecei a caminhar em direção à escola. Um passo de cada vez, sem nenhum afobamento.

É larga a avenida que separa meu ponto de observação matinal e a escola na qual estudo. Os carros passam com frequência. Sempre velozes. Eles esquecem, ou não se importam, com o detalhe de que aqui é um ponto escolar.

Toda vez redobro minha atenção nesse trecho. Sempre tomo todo o cuidado para não ser atingido por algum veículo que queira tentar contra a minha vida. Não tem uma única manhã que eu não preste a máxima atenção nesse momento. Eu sempre estou atento.

Mas hoje não foi assim.

Após os meus primeiros passos na avenida, escuto uma voz gritando pelo meu nome. Uma voz que parece sedenta de raiva e o dono dela provavelmente me quer fazer o mal. Olhei para trás e notei a figura do Rafael. Sim, o corno que me bateu um bocado de vezes e que me prometeu a morte. Quando ele percebeu que o notei, partiu em minha captura.

Eu corri, claro!

Atravessei a perigosa avenida correndo às cegas. Por pouco um carro não me pegou no primeiro instante, consegui dar um pulinho para frente, que me fez sair da rota de colisão, mas, para o meu azar, escapei de um para cair na frente de outro.

Um segundo carro vem veloz na minha direção. Estou paralisado pelo medo que senti após ter escapado por pouco do carro anterior, ainda estou recuperando o fôlego. Sem tem o que fazer para alterar o meu trágico destino, fico apenas olhando o carro se aproximando. Não vou conseguir me mexer mesmo. Vou morrer sem foder! 

Quando o carro chega, fecho os olhos e aceito a morte. Mas, no mesmo momento, meu corpo é arremessado para fora da zona de colisão. Escuto uma batida forte. Alguém trocou de lugar comigo.

O trânsito todo parou após a batida. As pessoas correram em direção ao corpo abatido pelo veículo. Gritavam por socorro e vários ligavam para a emergência, polícia e o diabo a quatro.

Eu me levantei, meio atordoado, com alguns arranhões com os quais não me importei. Tudo o que me interessava era saber quem tinha salvo a minha vida e se estava bem. Caminhei cambaleando até a multidão e, depois de muito empurrar as pessoas, consegui chegar perto do corpo estirado no chão. Para a minha surpresa, não é um salvador. É uma salvadora.

Seu corpo está jogado na pista. Dá para notar com apenas uma olhada que seus ossos estão acabados. Seu rosto tem sangue, tanto sangue que até seus cabelos estão sendo tingidos de vermelho. Fico em estado de choque. Era para ser eu ali.

Lágrimas involuntárias escorreram pelo meu rosto assim que reconheci a minha salvadora. Aproximo-me dela.  Do que sobrou dela.

— Por que fez isso? — pergunto em lágrimas de desespero.

Não tenho nenhuma resposta, ela não está consciente. Mas eu não me importo e insisto em perguntar. Eu estou desesperado, estou mesmo.

— Por que fez isso? — pergunto aos berros.

Alguns adultos, vendo o meu estado abalado e abeira de um colapso, decidem me afastar do corpo dela, eles perceberam que estou em choque. Contudo, não quero sair daqui. Eu quero ficar perto dela!

— Me soltem! — grito.

Meus pedidos não são ouvidos e sou arrastado para longe dela, para longe da minha salvadora, para longe da minha Luara.

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