Faça Alguém Gozar!
Capítulo 16: Amo um idiota tarado.
Sempre fui arrogante, uma arrogante metida. Sempre soube que sou dona de uma aparência agradável. Sou linda, eu sei e sempre busquei tirar vantagem disso.
Colocar todos, principalmente os garotos, aos meus pés é algo que adoro fazer e faço bem. Namorar o “manda chuva” é o que faço com frequência.
Até um tempo atrás, Rafael era o manda chuva da vez. Brusco, forte e intimidador. Eu gostava disso nele. Gosto da sensação de poder. Sinto-me protegida perto desse tipo de pessoa e ele era meu, literalmente. O controlava fácil. Algumas palavras e beijinhos e tudo certo.
Claro que por ele ser “macho”, ele vivia insistindo por sexo, mas nem ele nem outro vai conseguir isso facilmente. Não comigo.
Nesse jogo de amar é importante, principalmente, não amar. Tudo tem que ser sintético, falso, líquido. Se apaixonar é idiotice. Já aprendi isso vendo minhas irmãs, primas e amigas sofrendo por causa do tal “amor”. Por isso tomei a decisão de não amar. Jamais!
Tudo sempre foi bem na minha vida. Eu controlava, dominava e eles não notavam isso. São bobos. São virgens bobos. Nenhum que conheci era digno de ser meu “amor”, se é que vou amar um dia.
Claro que não vou!
Pelo menos era isso no que eu acreditava…
Mas… eu conheci alguém.
Conheci um garoto. Ele é um bocó. Um idiota. A primeira coisa que ele me perguntou foi se eu queria transar com ele. Caramba! Ele poderia ter perguntado um monte de coisas, tipo o meu nome, mas, não, em vez disso, ele pergunta se quero fazer sexo com ele. Um virgem, que é até mais novo do que eu, falando em sexo. Lasquei um tapa na cara do idiota.
Fui para casa e falei para a minha mãe. Ela foi comigo para a escola no dia seguinte e conseguimos fazer a diretora punir o miserável. Foi suspenso por uma semana. Depois disso, os dias na escola estavam normais. No entanto, não sei como, senti falta daquele garoto que senta no canto do fundo da sala. Eu mal o conhecia, mas senti falta dele.
A única coisa que eu lembrava era da voz dele e da maciez de seu rosto que senti quando lhe dei o tapa. Fiquei fora de mim, viajei em alucinações e, em uma noite qualquer, mandei-lhe uma mensagem. Teclamos um pouco e ele vai e me pergunta se sou virgem. Certo que eu tinha perguntado para ele primeiro, mas isso não dá o direito de ele perguntar também. Onde já se viu, hum?!
Teclamos mais vezes. Sem perceber, eu passei a esperar o chegar de todas as noites para poder trocar mensagens com ele. Se tornou tipo um ritual sagrado para mim e eu aguardava ansiosamente uma mensagem dele.
Após o período de suspensão, quando ele finalmente voltaria para a escola, eu fiquei ansiosa. Queria muito revê-lo. Naquele dia fui bem mais produzida para a escola. Cheguei até um pouco mais tarde, mas quando entrei na sala, vi meu namorado (na época, Rafael) surrando-o.
O idiota virgem simplesmente dizia que tinha me possuído mesmo isso sendo mentira, e não negava mesmo levando muitos socos na cara. Achei bonito, achei lindo, na verdade, o fato dele preferir apanhar do que negar suas fantasias comigo. Mesmo sendo apenas fantasias.
Separei a briga, e outros ajudaram a tirar o Rafael da sala. Olhei para o garoto que estava com o rosto coberto de sangue e perguntei se ele era idiota. Eu tinha que ser dura, não queria que ele notasse que eu estava tendo uma queda por ele.
Olhou-me por um momento e me chamou de linda. Confesso que fiquei com vontade de beijá-lo, mas não podia, não quero me apaixonar. Então ele vai e me pergunta se sou virgem, dou-lhe um tapa e me retiro da sala.
Que garoto ousado, eu gosto dele. Merda! Eu gosto dele!
Não tive escolha, eu não queria me apaixonar, ainda mais por um idiota.
Terminei com o Rafael.
Tudo começou muito antes de eu notar que havia começado. Não sei bem ao certo, talvez seja apenas ilusão, ou intuição. Mas eu me apaixonei por um idiota; e hoje vi esse idiota parado na rota de colisão com um carro. Meu coração ordenou e meu corpo agiu para salvá-lo.
Agora, não sinto mais meu corpo, não consigo abrir os olhos; mas escuto a voz do idiota chamando por mim.
Ele está chorando?
Eu queria poder vê-lo, ver aquele rostinho fofo. Queria poder dar mais um tapa nele e beijá-lo em seguida. Eu apenas quero que ele me abrace. Ele é totalmente o oposto de um garoto forte fisicamente, mas, não sei explicar, eu acho que me sentiria mais segura nos braços dele.
Mas isso não vai acontecer.
Vou morrer aqui, sozinha. Sem poder dizer para o único que amei que o amo. No entanto, aonde quer que eu vá, eu levarei você em minha alma, Charlinho. E lá eu vou te esperar. Mesmo você jamais sabendo disso, meu tarado!