Faça Alguém Gozar!
Capítulo 30: Conflitos
Poucas coisas são melhores do que começar o dia beijando.
Eu estava tão entretido com os deliciosos lábios da Larissa que não percebi a aproximação de uma pessoa em particular. Como o campo de visão dela estava voltado para o local exato, Larissa foi quem primeiro notou que tinha alguém perto e cessou o beijo imediatamente.
— Mar… Marcos? — Disse ela entre gaguejos direcionando o olhar por cima do meu ombro esquerdo.
Senti um frio na barriga. Uma sensação do tipo “fudeu!”
Virei-me para olhar o sujeito e lá estava ele, parado a poucos metros de nós. Marcos observava incrédulo. Seus olhos refletiam uma mistura de surpresa e raiva. Sinto que qualquer coisa que eu diga será inútil, então, não serei o primeiro a falar.
— Sério? — Ele falou. Não foi bem uma pergunta, mas sim uma ironia.
— Desculpe por não ter contado antes — tentei algo.
— Desde quando? — Ele perguntou.
— Algumas semanas.
— Quando eu fui na sua casa lhe pedir conselhos…
— Sim, já estávamos juntos.
— E mesmo assim me fez ter esperanças — ele disse virando a cabeça para o lado e mordendo os lábios. Notei que também cerrou os punhos.
— Marcos, olha… — tentei falar, mas ele me interrompeu.
— Cala a boca! – Ele exclamou.
— Marcos, calma! — Larissa tentou acalmá-lo.
— Ele continuou olhando para os lados, mordendo os lábios, dando passos para trás e para frente e passando as mãos na cabeça.
— Que merda, cara! Que merda! — Ele exclamou novamente.
— Podemos conversar? Nós três? — Larissa indagou.
— Conversar? Conversar sobre o quê? Não tem nada para conversarmos. Vocês dois se merecem. Que merda! Qual é? Não podiam ter me falado desde o início, porra? — Ele respondeu com o tom alterado.
— Você não precisa falar assim com ela — reclamei.
— Eu falo do jeito que eu quiser.
Levantei-me num pulo.
— Fale novamente com ela dessa forma que te arrebento a cara — ameacei.
— Depois da facada vem a surra, é? — Ele soltou mais uma ironia.
— Qual é? Não seja criança. Podemos sentar e conversar. Podemos continuar nossa amizade. Olha, quando você me disse que gostava dela, nós já estávamos juntos e tal.
— Você é um idiota, Charles! Não acredito que um dia te chamei de amigo.
— Posso até ser um idiota, mas eu não posso mudar o que há entre mim e ela só para te agradar — argumentei.
— Você fala como se ela fosse importante para você.
— Claro que ela é.
— Assim como a Luara era? — Ele joga baixo.
Respirei fundo para não voar na garganta dele. Filho da puta.
— Você não precisa falar da Luara, Marcos — falei tentando manter a calma.
— Você vivia pregando que ela era o amor da sua vida, a pessoa mais importante e tal, e depois que ela morreu salvando a merda da tua vida, você a esqueceu rapidinho.
Não consegui mais me conter. Aproximei-me o suficiente e desferi um cruzado de direita na cara do desgraçado. Ele caiu no chão, subi em cima dele e comecei a socá-lo.
— Ela não morreu! — Eu berrava enquanto batia nele.
Ele também me acertava alguns socos, mas eu acertava mais.
Larissa se desesperou e começou a gritar. O pessoal da escola escutou os gritos, muitos alunos atravessaram a avenida, uns para assistir e outros para apartarem a bagaceira.
Puxaram Marcos para um lado; e eu, para outro.
— Babaca! — Marcos gritava.
Eu não respondi nada porque Larissa estava na minha frente olhando intensamente nos meus olhos.
— Não diga mais nada, Charles. Já chega! — Ela ordenou.
— Babaca! — Marcos continuou.
— Me soltem! — Ordenei para os garotos que me seguravam.
Limpei a poeira da minha roupa e peguei minha mochila.
— Charl, você está sagrando, temos que limpar isso antes que o sangue caia no seu olho — Larissa se preocupou.
Soltaram o Marcos também e ele cuspiu sangue no chão, mas, mesmo com a boca ensanguentada, ele continuou com suas provocações.
— Cuidado para não morrer também, Larissa. Se isso acontecer, você será substituída assim como a outra.
Larissa olhou para mim, respirou fundo e se virou para o Marcos.
— Marcos, vá tomar no cu! — Ela esbravejou sem nenhum pudor deixando a todos, inclusive a mim, boquiabertos.
Geral ficou em silêncio, até eu. A jovem e sempre calma Larissa falando algo do tipo. A coisa ficou séria.
— Meninos, por favor, me ajudem a levar o Charl para a enfermaria da escola. E levem aquele babaca ali também, por favor!
Os garotos acataram o pedido dela e assim fizeram. Levaram-me, mesmo eu dizendo que podia andar sozinho.
INSTANTES DEPOIS
Após me remendarem na enfermaria, a diretora me convocou e tive que ir à sua sala. Achei que levaria bronca, mas ela apenas ofereceu o confortável sofá para eu tirar um cochilo até meu pai chegar.
Ela foi boazinha comigo.
Segundo ela, meu pai vem me pegar assim que possível. E eu poderei aguardar aqui, sossegado.
A diretora acabou tendo que sair, foi convocada para uma reunião na prefeitura. Só retornará no turno da tarde. Sendo assim, sou o dono interino da sala.
Minutos se passaram e eu acabei ficando entediado. Deitei-me no sofá e, quando eu estava preste a cair no sono, escutei a porta ranger. Estava sendo aberta.
— Oi? — Disse a intrusa.
— Oi.
— Posso entrar? — Ela perguntou.
— Fique à vontade,
Ela entrou e fechou a porta.
— A diretora teve que sair, só retornará no turno da tarde — informei de imediato.
— Eu sei — ela disse e se sentou em uma poltrona que fica de frente para o sofá.
— Então veio curtir o clima agradável da sala? — Indaguei.
— Isso também — ela respondeu enquanto cruzava as pernas.
Ela está usando uma saia preta que, quando em pé, fica na altura dos joelhos. Mas, assim que sentou e cruzou as pernas, a saia levantou revelando mais da metade de suas lindas coxas.
— A coisa foi feia lá fora — ela comentou de repente.
— Sim. Uma pena ter acontecido daquela forma — comentei sem interesse no assunto.
— Enfim — disse ela — prazer, Amanda!
Eu estou deitado olhando para o forro da sala. Meu braço direito está cruzando na minha testa e minha mão esquerda sobre minha barriga. Minhas pernas estão cruzadas. Ou seja, minha atenção, até agora, não estava totalmente na garota, fora uma breve olhada há alguns segundos.
Resolvi ficar sentado no sofá e correspondi:
— Prazer, sou Charles!
— Parece que isso vai inchar um pouco — ela falou apontando para o meu supercilio.
— Um pouco.
— Espero que não fique cicatriz. Isso seria uma pena para o seu rostinho lindo.
Fiquei em alerta após a fala dela e a olhei mais detalhadamente.
Parda, ruiva, baixa, mas não tão baixa. Peso bem distribuído para a altura. Hum! Ela é gostosinha. Vestida com uma saia colada preta, sapatilhas de mesma cor e a blusa-farda da escola.
— É linda! — Pensei em voz alta.
— Obrigada — ela riu.
Ops! Falei demais.
Fiquei babando pelas coxas delas, não consegui tirar os olhos.
— O que achou? — Ela perguntou.
— Do quê?
— Você não para de olhar para as minhas pernas. Gostou?
Eu poderia olhar para o lado e me fingir de idiota. Poderia, do verbo “não vou”.
— São lindas! Mas você está vendo essas mãos? — Falei erguendo minhas mãos no ar.
— Vai dizer que quer pegar nas minhas pernas?
Era isso, mas perdeu a graça.
— O que veio fazer aqui, de fato? — Indaguei.
— Conhecer você — Amanda respondeu de imediato.
— Eu já te vi pela escola — comento.
— Sim, somos ambos do 2º ano, turmas diferentes. Desde o ano passado eu te observo, mas você é complicado. Muito fechado e tal. Fica difícil se aproximar.
— Entendo.
— Podemos nos conhecer melhor? — Ela fez a proposta.
Fiquei tentado. Essa ruivinha parece ser bem deliciosa. É ousada e provocadora. Eu estou com uma grande vontade de fazê-la gozar aqui e agora.
— Tenho namorada.
— Eu sei. Toda a escola já sabe depois daquela confusão. Mas não me importo em dividir você.
Puta merda! — Pensei.
Eu já ia dar uma resposta à altura quando Larissa entrou na sala.
Ela ficou parada olhando para mim e para a Amanda.
Fiquei nervoso pra caramba.
— Oi? — A cumprimentei tentando passar o ar de tranquilidade — Larissa, essa é …
— Eu sei quem ela é — disse Larissa.
— Olá, Larissa! — Amanda a cumprimenta.
— Olá, Amanda! — Larissa corresponde.
Eu não sei qual dos dois cumprimentos foi o mais falso.
— Você tem algo para resolver com a diretora, Amanda? — Larissa perguntou.
— Não, não. Soube que ela só virá à tarde.
—Entendo. Poderia me deixar a sós com o meu namorado? Se não for incômodo.
— Claro! Tchau, Charles!
Amanda levantou-se e caminhou até a porta que Larissa já deixara aberta.
— Tchau, Larissa!
— Tchau, Amanda!
Amanda saiu e Larissa fechou a porta.
— Ela tem lindas pernas, não é, Charl? — Larissa perguntou com um tom desconfiado.
— Não sei, nem olhei.
— Sei.
Ela se sentou na poltrona e começou a conversa.
— Você deseja falar algo sobre a Luara?
Respirei fundo por alguns segundos.
— Não vou mentir para você. Eu gostava dela.
— Isso a escola toda sabe, me conte uma novidade.
— Que novidade?
— Tens contato com ela?
— Eu? Não.
— Como pode afirmar que ela ainda está viva?
— Apenas acho.
— Você ainda gosta dela?
— Gosto, não só eu, mas todos gostam dela.
— Não se faça de idiota, não estou para brincadeira — ela reclamou — você ainda a ama?
— Você não pode fazer isso comigo, Larissa. Não pode me fazer responder isso. Olha, eu estou com você aqui e agora. Estamos juntos, o passado é passado.
Larissa refletiu por um instante.
—Tem razão! Eu não tenho o direito de pressionar você. Desculpe-me.
— Ainda vamos correr hoje no fim da tarde?
Ela sorriu.
— Não, meu bobinho. Hoje vamos descansar deitados na sua cama.
— Como assim?
— Hoje eu irei dormir na sua casa, se você permitir.
— Claro! Mas e seus pais?
— Vou dizer que irei dormir na casa de uma amiga.
— Danadinha você.
— Não pense que entrará em mim — ela disse rindo.
— Sério? — Falei rindo para disfarçar o desânimo.
— Você teve a sua chance e não quis, agora vai ter que esperar.
— Você é má.
— Venha cá, quero um beijo.
Fui até ela e nos beijamos na poltrona da sala da diretora da escola. Você já fez isso? É maneiro! Experimente!