Faça Alguém Gozar!
Capítulo 31: Luau dos Galdinos – parte 1/2
ALGUNS MESES DEPOIS
A Cidade das Palmeiras pode até não ser uma grande cidade e rica como a cidade vizinha ou a Capital Estadual. Na verdade, a nossa cidade é uma das menores e mais humildes da região. Contudo, temos algo que as outras não têm: o majestoso Lago das Palmeiras.
O Lago das Palmeiras é o lugar mais lindo da redondeza, talvez até do país, pena que ainda não recebeu o merecido reconhecimento. Afinal, nossa cidade ainda não está no mapa dos grandes pontos turísticos do país. Eles que perdem.
O país pode ainda não o conhecer, mas a vizinhança sim. E há um motivo especial para que muitas pessoas sejam atraídas anualmente para a nossa cidade: o Luau das Palmeiras. Três dias seguidos de festa no Lago, encerrando com um magnífico Luau na última noite.
Enfim.
A minha família, assim como outras da nossa cidade, possui uma tradição anual que antecede o grande Luau das Palmeiras. Se chama “O Luau dos Galdinos”.
Para nós, funciona como uma prévia para o grande evento da cidade. É onde os membros da nossa família e amigos se reúnem para uma noite de Luau no lago. É quase um Natal ou um Reveillon para nós. E, semelhante a esses, só ocorre uma vez ao ano.
— Charles? Posso entrar? — É a minha prima Geórgia.
— Pode.
Enquanto minha prima entra no quarto, fico focado na minha tarefa de arrumar espaço para pôr alguns colchões no chão. Como meu ex- e minúsculo quarto foi transformado em uma dispensa, nesse ano terei que dividir o meu novo quarto com os meus primos, que irão chegar para as festividades da família.
— Deu certo? Irá caber todos? — Geórgia indaga.
— Tem que caber — respondo vagamente — já organizou o seu?
Minha prima irá dividir o quarto com as outras primas.
— Sim — o tio Marco já foi pegar o pessoal junto com o Rodrigo. Aquele outro, que anda com o Rodrigo, foi junto num terceiro carro. Acho que será o suficiente para trazer o pessoal — Geórgia comenta.
Como na nossa cidade não tem aeroporto, dependemos de uma cidade vizinha, que fica a umas quatro a cinco horas de viagem. Há outras cidades mais perto, mas nenhuma tão desenvolvida.
— O nome do outro é Felipe — falo. O vovô virá dessa vez?
— Acho que não.
— Entendo.
O pai do meu pai, meu avô, Rodholfo Galdino, foi quem iniciou o tradicional encontro anual da família Galdino, mas, desde que a vovó faleceu, ele nunca mais participou. Isso já tem anos.
— Como está sendo a nova idade de 18 anos? — Geórgia indaga.
— Ainda estou me acostumando.
— Quando chegar aos meus 20, sentirá saudades dos seus 18. — Ela brinca. — Então, irá trazer a namorada?
— Fiz o convite — falo vagamente. Realmente estou mais preocupado em organizar esses colchões e todo o resto do espaço do quarto que sobrar.
Meu plano é deixar o colchão do Nicolas (um ano mais novo do que eu) o mais distante da minha cama. Ele é meu primo e tal, mas sempre o achei esquisito. A irmã (18) dele, por outro lado, é bem interessante; apesar de ser alguns meses mais velha do que eu.
— Vou indo! — Geórgia se retira do quarto.
Continuo com os meus afazeres.
ALGUMAS HORAS DEPOIS
Arrumei o quarto o melhor que pude. Reservei lugar para todos e garanti o meu espaço. Estou deitado na minha cama, mas me levanto assim que ouço o comboio de carros parando na frente de casa. Corro para a janela.
Muita gente desce dos veículos. Meus tios e tias. Primos e primas.
A primeira que vejo é a Liliane (19 anos). Branca de cabelos negros, ondulados até o meio das costas. É bem robusta de corpo, coxas grossas e peitos durinhos. Porém, da fruta que eu gosto, ela chupa até o caroço.
O outro a descer de um dos carros é o Maxuel (20 anos), o mais vaidoso dos primos. Só perde para o meu irmão Rodrigo (27). Max, não curte bucetas. Ele gosta mesmo é de pica grande.
Os demais já entraram na casa.
Retiro-me da janela e fico na minha cama aguardando as pestes.
O primeiro a chegar e a entrar no quarto sem sequer bater na porta é o irmão do Maxuel, Nicolas (17). O carinha que eu disse agora a pouco que é esquisito.
— Olá, primo Charles Galdino — ele me cumprimenta com um entusiasmo fora do comum — sou eu, o Nicolas Galdino.
Detalhe sobre o Nicolas: ele ama ser um Galdino. Sempre que tiver oportunidade, ele irá deixar bem claro que é um Galdino. Não há nenhum outro que tenha tamanho amor pelo sobrenome da família.
Apesar de ser apenas um ano mais novo do que eu, o acho bem mais infantil.
Guilherme (13 anos), irmão mais novo da Liliane, e Erick (15 anos) entram no quarto logo em seguida. Erick é irmão da Bianca (17 anos), uma linda negra dos cabelos cacheados. Maxuel foi o último a chegar.
Como o quarto ficou cheio demais, decidi cair fora.
Ao passar pelo corredor, passei em frente ao quarto da Geórgia. A porta está fechada, mas pude escutar as vozes das garotas. Não corri o risco de espiar. Continuei seguindo o meu caminho. Ao chegar nas escadas, comecei a descer degrau por degrau com o olhar no vazio.
De repente, no meio da escada, deparei-me com uma pessoa subindo enquanto eu descia. Ela levantou a cabeça e nossos olhares se cruzaram. Ela é galega, cabelos loiros, lábios volumosos e um olhar penetrante.
— Olá, Charles — ela me cumprimentou passando ao meu lado.
— Olá, Diana — a cumprimentei de volta.
Ela seguiu subindo a escada e eu fiquei alguns segundos olhando para ela. Quando me dei conta de que estava abobalhado pela garota, dei um leve tapa na cara para voltar à razão. Tornei a descer a escada.
Diana Galdino (18), é a irmã do Nicolas e do Max. Diferente das outras Galdinos, ela sempre teve uma presença mais densa. Ano passado eu já tinha percebido isso, mas, nesse ano, está muito mais espantosa. Ela é quente, sem dúvida.
Chegando no lado de fora de casa, encontrei meu pai, meu irmão e os meus tios já de saída para o Lago. A limpeza e decoração do espaço do evento fica a cargo dos homens e mulheres sem afinidade com a cozinha, já as mulheres e homens com habilidades culinárias cuidam da comida.
Subo no carro e sigo junto com eles para o Lago. Meus primos haverão de ir assim que organizarem suas coisas lá no quarto.
Depois de alguns minutos, os demais primos chegaram no Lago para ajudar. Todos, menos o pequeno Guilherme e o Max, que sempre preferem ajudar na cozinha.
— Fala, Charles, bacana — Nicolas chega no local onde estou a cavar o chão para enfiar a coluna central da grande fogueira.
— Tranquilo — falo evasivamente.
— Bacana tantos Galdinos em um só lugar, dar até para sentir a vibração no ar — Nicolas comenta como se ser Galdino fosse alguma coisa incrível.
Na cabeça do meu primo, a família Galdino é poderosa, influente, dona da porra toda. E ele se acha incrivelmente importante por ser um Galdino. Como se fosse herdeiro de algum império. Mas, mesmo com toda a loucura dele, confesso que deve ser bacana acreditar fazer parte de uma família importante.
Contudo, a nossa família é simples. Talvez o mais sortudo seja o meu irmão, que tem um Mustang 69, e olha lá. Pois ele só tem isso mesmo. Se bem que os irmãos do meu pai também vivem uma vida tranquila, nada de luxo, mas tranquila. Já a tia Priscila Galdino, irmã do pai e mãe do Nicolas, é uma advogada de carreira. Talvez seja a mais bem-sucedida da família.
— É assim que se fala, pequeno Nicolas — Rodrigo surge de repente — tens que ter orgulho do nome da nossa família. Um dia o mundo irá conhecê-lo. Lhe garanto!
Ótimo, outro sonhador.
De fininho, afasto-me dos dois otimistas e procuro outra tarefa. Deixo a fogueira com eles.
O Luau dos Galdinos é amanhã. Não há tempo a perder com sonhos malucos e tal, prefiro ser realista. Dessa forma, decido ir para junto do pai, ajudá-lo por lá.
NO DIA SEGUINTE
Faltam minutos para o pôr do Sol. E, quando iniciar o pôr do Sol, o evento anual da família Galdino começa.
— Charles, vamos, estão todos já indo para o Lago — gritou o Erick batendo na porta do banheiro.
— Vá! Irei logo em seguida — gritei de volta.
Assim que escutei os sons dos passos do Erick sumirem descendo as escadas, abri a porta do banheiro e olhei para um lado e outro. Parece que não há mais ninguém na casa.
Voltei a trancar a porta.
— Pronto, todos já se foram — falei.
— Ótimo — Diana respondeu se aproximando de mim. Como eu disse antes, ela é quente.