Faça Alguém Gozar!
Capítulo 33: Cupido – parte 1/3 ‘Abordagem’.
O Luau dos Galdinos foi lindo. Na semana seguinte, ocorreu o Luau das Palmeiras. Foi magnífico e, mais uma vez, sucesso na região.
Durante e depois das festividades, Larissa e eu vivemos nossos dias de namorados tranquilamente até que, um dia, já impaciente, desejou falar com o irmão sobre o suposto relacionamento dele com a Lívia.
Estou preocupado porque, afinal, esse relacionamento não existe; ele não passa de uma mentira que inventei para acalmá-la em uma situação complicada. E se descobrir que menti, ela vai ficar bem chateada e puta comigo.
Hoje, na escola, ela disse que estava convencida a falar com o irmão. Com um pouco de sorte, consegui convencê-la a me deixar falar com ele antes. Usei o argumento de que homens só falam dessas coisas com outros homens. Ela não concordou muito com a ideia no início, afinal, eu e o André não somos nem um pouco chegados; mas ela consentiu em me deixar fazer isso.
Acabei de almoçar e estou sentado na minha cadeira de escritório — que gosto pra caralho — e olhando da janela do meu quarto. Vejo o Sr. Luís deitado em uma rede na varanda de sua casa fumando um cigarro. Do outro lado da rua tem uns garis sentados à sombra de algumas árvores, cada qual degustando a sua apetitosa quentinha.
Olho para baixo e vejo mamãe e papai indo em direção aos sujeitos levando jarras de sucos e copos. Aqui na nossa pacata cidade as pessoas, em sua maioria, são solidárias umas com as outras.
Continuo observando o movimento até que o barulho da porta do meu quarto abrindo rouba-me a atenção.
— Oi?
— Oi, Geórgia!
— Posso entrar?
— Entre.
Volto a olhar o mundo lá fora ignorando a minha convidada inesperada.
Geórgia senta na minha cama. Pois só há uma cadeira no meu quarto e eu estou com a bunda nela.
— O que você está fazendo? — Ela pergunta.
— Olhando.
— Olhando o quê?
— Qualquer coisa.
— Ah!
Ela fica em silêncio por alguns instantes.
— Ei, Charles!?
Viro-me e olho para ela.
— O quê?
Ela olha para o lado com a expressão de quem está pensando calmamente se deve prosseguir a fala ou não.
Então ela dá um suspiro.
— Não é nada, tchau! — Ela fala e sai do quarto.
Fiquei sem entender nada, mas não me preocupei. Apenas voltei a olhar pela janela.
— Iaew, filhão! — Gritou papai quando retornava com a mamãe.
— Iaew, pai! — Respondi com uma voz sem muito entusiasmo.
— Que foi? Está triste? Já perdeu a garota? — Ele gritou lá de baixo.
Ele não devia falar essas coisas para toda a vizinhança ouvir.
— Que nada, pai!
Ele sorriu, a mãe sorriu, o Sr. Luís sorriu, os garis sorriram e todos que escutaram o diálogo sorriram. Mais uma vergonha para a conta.
Tirei minha presença da janela e a joguei na cama afundando meu rosto no travesseiro e me forçando a pensar.
Logo devo ir ter com André e não tenho a mínima ideia do tipo de conversa que se sucederá.
Fico na escuridão da dúvida até que uma pequena luz acende na minha cabeça. Tiro o celular do bolso, digito e envio uma mensagem para o meu irmão.
— Irmão? — Envio com a esperança dele me responder de imediato.
— Diga! — Ele responde rapidamente.
— Preciso de uma coisa — envio.
— Ok! Quer uma puta nova ou mais experiente?
— O quê? Do que tu tá falando? Quero o contato do Felipe!
— Pequeno Charles, você curte é?
— Vá tomar no cu! — Irrito-me com ele. — Vai me passar ou não?
— Ok! Vou lhe mandar o contato.
— Obrigado!
— De nada, maninho! Use camisinha ou diga para ele usar.
— Vá tomar no cu!
— kkkk
Esse sujeito me tira do sério.
Vou ao banheiro e retorno após alguns poucos minutos. Digito uma mensagem e envio para o Felipe.
— Iaew? — Digo.
— Fala, pequeno Charles!
— Como sabe que sou eu?
— Rodrigo acabou de me passar seu número e avisou que você iria entrar em contato. Ele também mencionou um papo de camisinha.
— É frescura dele! Quero lhe perguntar uma coisa.
— Pode perguntar, pequeno Charles!
— Chegou a conhecer a Lívia?
— A que estuda com você?
— Sim! Ela mesma.
— Claro que conheci. Por quê?
— Ela gosta de homens?
— Sim, está querendo pegar é? Mas ouvi dizer que você namora a Larissa.
— Não, não estou querendo pegar. É um amigo que quer. Como faço para chegar nela? Tipo, é para um amigo.
— Rapaz, a Bianca é a pessoa que mais pode te ajudar nessa. Elas são bem amigas.
— Beleza.
— Ei, pequeno Charles, foda o que aconteceu com a Luara, velho!
— Pois é! Tem alguma informação dela?
— Não, mas tenho do culpado. Se quiser, a gente faz uma surpresa para ele.
— Ok! Depois fazemos isso. Valeu, Felipe!
— Na hora, pequeno Charles!
Pelo menos agora sei que ela gosta de homens. Já é alguma coisa. Devo entrar em contato com a Bianca para que ela me ajude, mas primeiro devo falar com o André e ver se ele tem interesse na Lívia. Se ele não tiver, devo fazê-lo ter custe o que custar.
Coloco uma camisa e saio rumo à casa da Larissa para falar com o irmão dela.
Em alguns minutos, chego ao meu destino. Toco a campainha e Larissa aparece para me receber.
— Oi? — Ela me cumprimenta abrindo o portão.
— Oi! — Correspondo e dou-lhe um selinho.
— Um selinho? Vem cá, me beija de verdade — ela disse me puxando para dentro do jardim da casa.
A coisa estava ficando séria.
— Eita! — Falei suspirando após o beijo.
Ela apenas sorriu.
Que garota linda!
Larissa me guiou até a porta do quarto do André.
— Tem certeza? — Ela indagou.
— Sim, não se preocupe — dei outro selinho nela; ela me olhou com a carinha de brava e saiu.
Que garota linda!
Quando ela me virou as costas dei-lhe uma tapinha no bumbum. Ela me olhou, deu um sorrisinho e continuou andando até sumir de vista.
Que rebolado gostoso!
Bom, agora é a hora! Levantei meu braço, fechei a mão e dei golpes na porta.
— Quem é? — Gritou André?
— Sou eu, Charles!
— Errou de quarto! O quarto da Larissa é do outro lado da casa.
— Não estou procurando por ela.
— Então vá embora!
Esse cara é chato pra caramba. Desgraçado, fdp do caralho!
— Precisamos conversar — insisto.
— Eu acho que não.
— Sério, me deixe entrar.
— Cai fora, cara!
— Pau no cu! — Perco a paciência.
— Vai me ofender agora? Primitivo idiota — ele reage.
— Idiota é você, nerd punheteiro do caralho. E sim, estou pegando sua irmã mesmo. Tem raiva de mim por causa disso? Que se foda. Pau no cu!
— Logo minha irmã vai se dar conta de que você não é digno dela.
— Digno é meu pau no teu cu. Abre a porra da porta!
— Vou ligar para o meu pai.
Ferrou!
— Ei, André? — Acalmo-me.
— Já estou discando os números.
O babaca é do tempo de discar números?
— Salva a porra do número na agenda do celular, fresco! — Falo.
— Eu faço o que eu quiser. Estou ligando!
Ferrou!
— Se não abrir essa porta, eu vou contar para sua irmã — ameaço.
— Contar o quê?
É só um blefe.
O segredo é atacar a curiosidade. E como todo mundo tem algo a esconder, provavelmente irá funcionar.
— Já estou indo contar.
— Espera! — Ele grita destrancando a porta e colando o olho na pequena abertura.
— Vai me deixar entrar? — Pergunto.
— Diga o que vai contar a ela?
— O teu segredo.
— Meu segredo?
— Sim, você pode esconder de todo mundo, menos de mim.
É apenas um blefe. Não sei de porra nenhuma, mas, pela expressão dele, parece que tem coisa.
— Diga o que é! — Ele fala aparentando estar preocupado.
— Me deixe entrar e conversaremos no seu quarto.
— Ok! Entre, mas deixe os sapatos aí fora.
— Por quê?
— Quer entrar ou não?
Tiro os meus sapatos e entro.
É um quarto cuja iluminação provida do sol é zero. É tudo escuro com várias telas de computadores interligadas e vários pacotes de salgadinhos e batatinhas espalhados por tudo quanto é canto, uns abertos e outros fechados.
— Pode sentar em qualquer lugar! — Ele fala.
Como se eu tivesse muitas opções.
— Que merda de quarto maluco é esse? — Faço uma crítica.
Ele me olha com a cara fechada.
— Fale ou caia fora! — Ele fala curto e grosso.
Eu não tinha ideia do que falar. Tentei enrolar para ganhar tempo.
— Cara, na moral, porque você me odeia? — Pergunto.
— Eu não te odeio. Só não gosto da sua existência. Você deveria se desmontar logo e voltar a ser poeira cósmica.
Que porra é essa?
— Tem inveja de mim por causa das minhas notas ou receio por eu ser o namorado da sua irmã?
— Inveja? Minhas notas são tão boas quanto as suas e te supero em física e química.
— Manjo na matemática, mané! Sabe o que isso significa?
— O quê?
— Que sou foda e tu deve sentar na minha “Pitágora” — falei dando um sorrisinho.
— Não entendi! — Ele disse.
Cara, ele não entendeu? Alguém entendeu a referência?
— Deixa para lá! — Falei chateado por ele não ter entendido a piada.
— Então, se não tem nada para falar, vá embora!
Eu já estava sem opção mesmo, então me levantei com a intenção de ir embora; e foi nessa hora que bati os olhos em um dos monitores do computador maluco desse cara e lá estava uma aba aberta com várias fotos da Lívia.
Dei um sorrisinho maligno e me sentei novamente.
— Está rindo do quê? — Ele perguntou.
Dei mais um sorrisinho.
— Sente-se, pequeno André — falei todo confiante — temos muito o que conversar.