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Faça Alguém Gozar!

FAG – Capítulo 38

Faça Alguém Gozar!

Capítulo 38: Deu medinho!

 

Realmente aquele é o Marcos.

Não desejo que Larissa o veja. Isso poderia preocupá-la.

— Larissa! — André chamou pela irmã.

— André? — Larissa estranhou o chamado. Até eu estranhei. Nunca aconteceu dele chamá-la quando estou com ela.

— Mamãe está a sua procura — ele completou.

— Mesmo? — Ela parece cética.

— Vá logo ter com ela — André insistiu.

Larissa enxugou suas lágrimas, disse-me que não demoraria e foi ao encontro da Sra. Mônica que, supostamente, exigia sua presença.

Quando Larissa sumiu de vista, André se aproximou.

— Ele está aqui. — Finalmente entendi o motivo dele querer afastar a irmã.

Voltei a olhar para o local onde havia visto Marcos instantes atrás e não tinha mais ninguém lá. Eu até poderia achar que era coisa da minha cabeça, mas André também o viu.

— Eu notei — respondi.

— Você acha que ele planeja fazer algum mal? — Ele indagou com uma aparente preocupação.

— Não, não. Não acho que Marcos seria capaz de fazer alguma besteira. Acho que ele estava só de passagem.

— Ok! Mas não seja ingênuo, Charles! — Senti sua mão sobre o meu ombro.

— Ingênuo? Eu? — Senti-me julgado.

— Foi ele quem me avisou que Marcos estava aqui.

— Ele quem?

— Seu amigo, Felipe.

— Então era ele que tinha ligado e não a Lívia?

— Ele tentou te ligar, mas não conseguia, então me ligou avisando que o Marcos está nos observando já faz alguns dias e que hoje ele estava nas proximidades. Aliás, como ele sabe disso e como ele descobriu meu número?

Eu dei um sorrisinho de canto.

— Não seja ingênuo, André! — Falei me levantando.

Eu já me acostumei com essa capacidade do Felipe de saber das coisas. Acho que meu irmão o influenciou bastante. Fico puto por saber que Rodrigo optou por ensinar outra pessoa ao invés do irmãozinho.

Rodrigo é muito bem informado, ganha muito dinheiro e tem uma influência esmagadora sobre as pessoas. Ainda me lembro do dia em que — com apenas uma mensagem de texto — conseguiu fazer com que o chefe da Nathalia a liberasse no meio do expediente só para que eles fossem se divertir juntos no Lago das Palmeiras.

Não é qualquer um que tem essa moral. Sem contar o fato dele ter me livrado de uma encrenca na escola e ainda ter comido a diretora.

Ele é meu irmão mais velho, mas é esquisito. Às vezes me pego pensando sobre isso e me bate uma curiosidade de saber quem realmente é o meu irmão. Será ele um espião do governo? Um mafioso? Um terrorista? Sei lá!

— O importante é que ele é nosso aliado — confortei André sobre Felipe.

— Esse cara (Marcos) está com muita raiva de você. E ainda tem um tal de Rafael.

— Rafael? — O interrompi.

— Sim! Felipe mencionou que Marcos e esse Rafael estudam agora na mesma escola e que ambos odeiam você.

Quando André chegou na escola, Rafael já havia sido expulso. É por isso que ele não conhece o traste. Mas é preocupante que esses dois estejam estudando na mesma escola; Rafael já deveria ter terminado o ensino médio, isso significa que reprovou. Enfim, existe a possibilidade de estarem, juntos, conspirando contra mim. Rafael, por causa da Luara; Marcos, por causa da Larissa. Putz! Que coisa complicada!

— Isso realmente é preocupante! — Desabafei.

— Você não acha que eles seriam capazes de fazer algum mal à Larissa, não é? — André perguntou bastante preocupado com a segurança da irmã.

Sinceramente, não posso afirmar que não, mas também não posso ser precipitado e causar pânico. Afinal, são apenas dois caras que perderam suas garotas por causa de mim. Falando assim, até compreendo o quão putinhos eles estão comigo.

— Relaxa, não criemos pânico. Beleza? — Falei com confiança, colocando meu braço direito sobre os ombros dele.

Larissa retornou.

— André, seu mentiroso — Larissa estava se aproximando bufando de raiva, afinal, desde o episódio com a Verônica, ela deseja matar um — mamãe não estava me chamando. Venha cá que vou lhe dar uns tapas, moleque mentiroso.

Olhei para o meu amigo e cunhado André e disse o que um amigo deve dizer numa hora dessas:

— Corre, maluco!

André olhou para mim, sorriu e deu no pé.

Larissa continuava se aproximando com a mesma fúria. Não arrisquei. Corri junto com o André.

Corremos ao redor da casa e subimos em uma árvore e ficamos lá enquanto Larissa passava sob nossos pés nos procurando.

— Ela está brava, hein! — Eu observei.

André sorriu! Eu também senti graça.

— Acho que está na minha hora de ir para casa — falei.

— Não, não. Você não pode ir nesse horário. Já está tarde e meu pai não está em casa para ir te deixar, então é melhor você ficar e passar a noite — André propôs.

Concordei.

— Mas você não poderá ir no quarto da Larissa hoje.

— Por quê?

— Por causa da Verônica. Se ela ver algo estranho, será bem complicado. E acredite, com você passando a noite aqui, ela vai ficar alerta para pegá-los em flagrante e, assim, causar constrangimento a vocês — André explicou.

— Sua irmã odeia tanto assim a Larissa? — Indaguei.

— É um problema meio que de família. Melhor não se intrometer. Em algumas semanas, Verônica retornará para a Espanha e tudo voltará a ser tranquilo como antes.

— Hum!

— Mais uma coisa, não diga para ela que estou namorando — ele fez o inusitado pedido.

— Por que não? E se seus pais disserem?

— Não é que Verônica não goste da Larissa. Verônica, na verdade, não gosta da ideia de que seus irmãos possam ser mais realizados do que ela. Se ela souber que estou feliz com alguém, ela vai procurar um jeito de sabotar minha felicidade. É isso o que ela faz. Quanto aos meus pais, não contei nada a eles, afinal, eu sabia que eles contariam para ela. Vou deixar para contar apenas quando ela partir.

— Sua irmã é uma vadia!

— Mas é minha irmã!

— Claro, desculpe!

De repente, algo atinge André, ele perde o equilíbrio e despenca da árvore.

Ainda bem que a altura não era grande e tinha os arbustos para reprimirem o impacto da queda. 

— Te peguei, miserável! — Berrou Larissa.

Ai meu deus! Vou morrer! Subi feito louco para o mais alto da árvore.

— Desce ou eu corto a árvore — ela ameaçou.

— Pode cortar! — Gritei.

Então a árvore começou a balança.

Puta merda! Ela está mesmo cortando? Onde diabos ela achou um machado?

— André? Ainda está vivo? — Gritei novamente.

— Infelizmente! — Ele respondeu.

Todo esse exagero por causa de uma mentirinha? Ou está descontando a raiva da irmã em nós? Que importa! Se essa árvore cair, eu morrerei, mas se eu descer, serei morto.

— Larissa, mor. Você já pegou o André. Leve ele e o ensine a não mentir mais. Faça isso querida, antes que ele escape — Argumentei.

Foi mal, André. Você será um sacrifício necessário.

— Me dê o machado aqui, deixa que eu boto essa árvore abaixo! — André disse se levantando.

— Crianças! A janta está pronta! — Gritou a Sra. Mônica.

— SENHORA MÔNICA! — Gritei.

André e Larissa começaram a rir. Eu não ri, mas preciso de roupas limpas.

Quando eu desci, vi que não havia machado algum. Ela estava apenas batendo com um pedaço de madeira e a árvore estava balançando por causa que eu estava na parte mais alta que é facilmente influenciada pelo vento. Mas uma coisa é certa, ela derrubou André quando arremessou uma de suas sandálias. Sorte que a queda foi de uma altura pequena.

Eu acho que não é uma boa ideia irritar a Larissa.

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