Faça Alguém Gozar!
Capítulo 41: Pensamentos Negativos
— O que aconteceu? Por que Larissa saiu daqui chorando? Você não bateu nela, né? Se tiver batido nela… — André chega já um pouco alterado.
— Calma! Eu não toquei nela — o interrompo.
— Hum! Por que ela saiu daqui chorando?
Ele parece querer me dar um soco. Se vier para cima, vou dar nele!
— Verônica.
André não precisou de mais do que isso para entender o que havia ocorrido.
— Eu deveria ter vindo junto contigo — ele parece se lamentar. — Não entendo a Verônica, não entendo mesmo.
— Ela me roubou um beijo. Voou para cima de mim e me beijou. A Larissa acabou vendo, mas não acho que ela acredita que tenha sido um beijo contra a minha vontade.
Ele ouviu em silêncio.
— Acho melhor eu ir embora — falo.
— Larissa não vai querer ver sua cara hoje — André comenta com sua tradicional sinceridade. — Também acho melhor você ir. Chamarei meu primo para te deixar em casa.
O namorado da Lívia me acompanhou até o portão. Foi cortês ao se despedir e ainda me desejou sorte.
— Cara, você é um baita sortudo — o primo do André quebra o silêncio que pairava dentro do carro.
— Por quê?
— A Larissa — ele explica — qualquer um que a namore pode se considerar um sortudo. Aliás, me chamo Bruno!
— Sou o Charles!
— Charles? Nome bacana, mas, diga-me, como conseguiu a façanha de namorar com ela?
Realmente não estou interessado na conversa. Minha cabeça está borbulhando e meu peito apertado, não sei se de raiva ou de pânico.
Após dar uma leve olhada para o lado, pude ver que o meu motorista tem uns vinte e tantos anos. Reconheci ele do jantar, conversava com todos como um legítimo membro da família. Então, acredito que saiba algo sobre a rixa das primas.
— Larissa e Verônica não se dão bem — comento — sabe qual o motivo?
Ele deu um sorrisinho como quem já esperava por tal pergunta.
— Você percebeu a guerra entre a duas, foi rápido!
— Infelizmente.
— Entendo. Você já percebeu que a origem do conflito é a Verônica?
— Sim, percebi. Por que ela odeia a irmã?
—Ela não odeia a irmã. É pior, ela a inveja.
— Qual o motivo? — Perguntei.
— Larissa é inteligente, querida pelos pais e amigos e é incrivelmente linda — ele responde.
— Mas a Verônica também é inteligente, faz curso superior na Espanha, é amada pelos pais e também é uma garota muito linda — explanei com toda a ingenuidade.
Bruno sorriu.
— É verdade, mas Verônica não ver assim. Ela tem uma inveja cega, meio que sem sentido, mas que já causou muito sofrimento para a pequena Lala.
Pequena Lala? Que intimidade é essa, rapaz? Quer levar porrada?
— É, já ouvi falar de alguns desses ataques. Ela já até tomou um namorado da irmã — comento.
— Já que você foi embora meio que pelas portas dos fundos, presumo que Verônica também tentou tomar você dela — ele fez a observação e acertou em cheio.
— Isso aconteceu. — Respondo voltando o olhar para a janela do carro.
— Ela te seduziu ou roubou-lhe um beijo?
— Os dois! — Digo envergonhado.
— Não sinta vergonha. Não é fácil resistir a uma bela mulher como Verônica. Ainda mais você.
— Como assim “ainda mais você”? — Pergunto, pois me senti ofendido.
— Calma, só estou me referindo a sua idade. 16?
— 17.
— Mesma idade que a Lala.
— Quem completa primeiro: você ou ela?
— Ela.
— Você realmente é incrível por ter conseguido tê-la como namorada. Tenho 19 e confesso que já tentei conquistá-la uma vez.
— 19? E eu achava que teria uns vinte e pouco.
Espera aí, já tentou conquistar minha Larissa?
— Claro que foi bem antes dela namorar com você — ele completa sua fala.
Hum!
Depois de alguns minutos e muito papo, chegamos no destino final.
— É isso ai! Até mais, Charles! — Bruno se despede enquanto saio do carro.
— Obrigado! Até mais!
—Charles? Chegou mais cedo do que eu esperava — sou recebido por Geórgia sentada na varanda de casa.
— Pois é! — Respondo.
Escuto a porta do carro bater.
— Ei, Charles? Quem é ela? Apresenta-me, pow! — Bruno fala ao pé do meu ouvido.
Você não já estava indo embora, ó infeliz?
— Geórgia, esse é… — Começo as apresentações.
—Bruno, prazer! — Ele toma à frente.
— Geórgia! — Ela responde.
— Ok! Estou entrando — digo, mas nenhum dos dois me deu atenção.
Subo as escadas do primeiro para o segundo piso, passo pelo corredor e chego no meu quarto. Tiro meus sapatos e me jogo na cama afundando a cara no travesseiro.
Acordo no dia seguinte atordoado. Rezo para que tudo tenha sido um pesadelo, mas, ao ver a roupa que estou vestindo, aceito a realidade.
Fico pelado e vou para o banheiro. No meio do caminho, percebo que não trouxe a toalha, então viro-me para retornar ao meu quarto.
— Uau! Bumbum lindo, hein! — Uma voz atrás de mim faz o ousado comentário.
Viro-me rapidamente.
— Uau! Que coisa mais linda você tem aí no meio das pernas — mais um comentário ousado é feito.
Trato logo de colocar minhas mãos para cobrir meu instrumento.
— Está fazendo o que aqui, Bruna? — Indago.
— Geórgia me convidou — ela respondeu.
— Como assim? Ela não odiava você?
— Pois é, mas estamos em paz agora e reatamos.
De repente, mais uma figura sai do quarto da Geórgia.
— Iaê, Charles!
— Bruno? — Espanto-me.
Mas que porra está acontecendo aqui?
Foda-se!
Dou um breve olá e sigo para meu quarto. Pego a minha toalha, quando volto para o banheiro, não vejo mais ninguém no caminho.
Depois de todo o procedimento matinal, sigo para a escola.
Ao chegar nas proximidades da escola, não encontro Larissa no nosso local de sempre. Mas, lá do outro lado, na multidão, vejo André e Lívia.
Já na sala de aula.
— Cadê ela? — Pergunto por Larissa.
— Viajou para a casa da Tia! — André responde.
— Casa da tia?
— Sim. Na nossa antiga cidade.
— Mas por quê? — Indago.
—Oras porquê?! Ela está puta com você. Achou melhor não correr o risco de ver sua cara, e também quis se afastar da Verônica.
— Entendo!
— Falando em Verônica, mamãe não suportou o que ela fez ontem e lhe deu uma mega bronca. Na verdade, muitos dos familiares repreenderam-na por sempre atentar contra a felicidade da irmã.
Fico relaxado com a esperança de Verônica explicar para Larissa o que realmente se sucedeu. Mas meu estado relaxado não dura muito, pois André me deixa bastante preocupado com sua fala seguinte.
— Vou te falar porque somos amigos, mas acho que ela vai se encontrar com o Sebastian por lá. Ele é um antigo namorado dela. Tente falar com ela antes que alguma coisa aconteça, se é que me entende.
Abaixo a cabeça sobre a carteira e fico em silêncio até o fim das aulas.
Chego em casa e vou direto para o meu quarto. Faço várias tentativas de ligações e mensagens, mas nada dar certo. Ligo para o André e pergunto se ele consegue ligar para a irmã, ele disse que não porque ela, com uma raiva do caralho, quebrou o celular na noite de ontem.
Então como diabos vou falar com ela, infeliz?
Sem ter como me comunicar para tentar remediar a situação, só me resta ficar aqui, agarrado com meu travesseiro e viajando em meus pensamentos negativos.